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quinta-feira, 23 de julho de 2015

0 Dez anos depois da morte, família de Jean Charles cobra punição

No dia 22 de julho de 2005, Jean, então com 27 anos, foi alvejado com sete tiros na cabeça em um vagão na estação de metrô de Stockwell

 

 

Pouco depois das 10h (6h em Brasília) desta quarta-feira (22), familiares e amigos do brasileiro Jean Charles de Menezes relembraram em Londres a sua morte ocorrida há dez anos e cobraram punição dos envolvidos na operação policial que o confundiu com um terrorista.
No dia 22 de julho de 2005, neste mesmo horário, Jean, então com 27 anos, foi alvejado com sete tiros na cabeça em um vagão na estação de metrô de Stockwell. A Scotland Yard, polícia metropolitana de Londres, foi considerada culpada pelos erros na ação, mas até hoje ninguém foi criminalmente punido pelo episódio.

Com flores, velas e um minuto de silêncio, um grupo de dez pessoas próximas a Jean, sob olhar de curiosos e de jornalistas brasileiros e britânicos, o homenageou em frente ao memorial inaugurado em 2010 na estação de metrô.

"Há dez anos, meu primo veio até aqui e foi morto. É inacreditável pensar no que ocorreu, ele era um inocente querendo ajudar sua família. Queremos a punição dos responsáveis pela operação", disse Vivian Menezes Figueiredo, 34, prima de Jean e que vive Londres desde a época de sua morte.
"Nenhuma pessoa foi condenada, só gostaríamos de pedir que a justiça fosse feita", reforçou Alessandro Pereira, 32, também primo do brasileiro.

No mês passado, a família de Jean entrou com uma ação na Corte Europeia de Direitos Humanos buscando punição para os envolvidos.

Em sua versão, a polícia alegou acreditar que Jean Charles fosse Osman Hussain, suspeito de tentar, sem sucesso, operar um ataque terrorista no dia 21 de julho, numa ação ligada aos atentados de 7 de julho que deixaram 52 mortos.

Segundo a polícia, Hussain vivia no apartamento 21 da Scotia Road, no bairro de Tulse Hill. Jean morava no 17.

A Scotland Yard foi considerada culpada pela Justiça britânica em 2007 pelos erros na operação e teve de pagar uma multa de £ 175 mil. Em 2009, chegou a um acordo de indenização com os pais do brasileiro em torno de 100 mil libras esterlinas, cerca de R$ 286 mil na época. Mas nenhum policial ligado à ação foi condenado.

O então diretor da polícia, Ian Blair, desgastado pelo caso, deixou o cargo em 2008. Dois anos depois, virou nobre, o "Lord Blair de Boughton", após ser nomeado para uma cadeira na Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico.

"PRECISAVAM MATAR"
Em entrevista à reportagem, Patrícia Armani da Silva, prima que morava com Jean Charles em Londres na época do ocorrido, também criticou a ação policial.

"Eles [polícia] precisavam matar alguém naquele dia, porque a pressão era muito grande por causa dos atentados do dia 7 de julho e depois do dia 21", afirmou, aludindo aos atentados a bomba nos quais 52 pessoas foram mortas no sistema de transporte público da cidade e da ameaça ocorrida na véspera.

"Foi uma grande sacanagem, pois, por mais que a cidade estivesse vivendo um momento de puro horror, eles estavam lidando com a vida das pessoas e falharam", disse.

FOLHAPRESS

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