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quinta-feira, 23 de julho de 2015

0 BARREIRO-BH-Trio arromba casa e é preso com lista de futuras vítimas em BH

Bandidos vieram de São Paulo para cometer crimes; vítimas são na maioria chineses e coreanos

 

 

A prisão de três assaltantes em flagrante levou a Polícia Militar a descobrir um esquema que tinha como possíveis alvos cerca de cem empresários de Belo Horizonte. Os criminosos, que vieram de São Paulo havia menos de uma semana, foram detidos enquanto tentavam roubar a casa do dono de lojas do setor têxtil, na região do Barreiro. Com eles, foi encontrada uma lista com nomes e endereços comerciais e residenciais das possíveis vítimas, além de seus Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica (CNPJ). Havia ainda vídeos dos locais, em endereços luxuosos como Pampulha, Belvedere, Anchieta e São Bento.

O caso ainda será investigado. Não se sabe, por exemplo, se algum outro empresário da lista já foi assaltado pelos criminosos. Sobre as vítimas, os policiais militares informaram que elas têm sobrenomes de outras nacionalidades – aparecem com mais frequência chineses e coreanos, mas há também muitos libaneses e turcos. Eles atuam principalmente com joias, tecidos, carros e farmácias.
A lista foi achada em fotos no celular de um dos criminosos – nele há ainda vídeos em que aparecem ladrões fazendo ligação direta em veículos. As imagens da lista foram feitas da tela de um computador. Por conta do detalhamento, os militares acreditam que as informações tenham saído de algum tipo de associação comercial. “Essas não são informações que você encontra facilmente em uma busca no Google”, pontua o soldado Rodrigo Braga.

Prisão. No caso da tentativa de assalto desta quarta, a Polícia Militar foi acionada por um vizinho do empresário que estava sendo assaltado. Ele tem 50 anos, origem libanesa e disse que vai deixar o Brasil.

“Eu sinto muita tristeza com esses assaltos. Eu tinha sete empresas aqui, mas já vendi seis.
Agora vou vender a última e voltar para a França, onde eu vivi por 15 anos”, desabafou. O empresário já havia sido vítima de outro assalto, há um ano. Naquela ocasião, ele contou que teve prejuízo de cerca de R$ 35 mil. Nesta quarta, nada foi roubado.
Como no crime do Barreiro, os ladrões disseram aos militares que só invadem as casas de suas vítimas quando estão vazias. Eles não quiseram dar entrevista e contaram apenas que vieram para Minas de ônibus.

Victor Heiki Ykeuti, 20, Jean da Costa Cortyis, 19, e Maycon Wilson Tavares, 24, já tinham passagens por furto, tráfico de drogas e assalto em São Paulo. Aos militares, o trio chegou a dizer que escolheu Belo Horizonte porque já haviam sido presos em São Paulo e consideravam que na capital mineira seria “mais fácil”.

Um quarto criminoso, que esperava em um carro, conseguiu fugir – até a noite desta quarta ele não havia sido detido. Vizinhos disseram que viram o veículo dos bandidos rondando a região nos dois dias anteriores. “Os ocupantes do carro estavam com uma câmera fazendo fotos”, disse uma moradora que pediu anonimato.

A assessoria da Polícia Civil, que vai investigar o caso, informou apenas que o trio vai responder por roubo qualificado, com pena de dois a oito anos de reclusão e multa. As investigações foram encaminhadas para a 2ª Delegacia do Barreiro.

Paulistas tiveram ajuda de criminoso de BH
A execução de um crime como o que aconteceu nesta quarta demanda planejamento e estudo prévio, de acordo com o ex-secretário de Segurança Nacional e consultor de segurança pública José Vicente da Silva Filho. “Todo criminoso planeja a forma de agir para reduzir o risco e ter mais sucesso, principalmente em casos como esse, em que as vítimas têm mais recursos e, possivelmente, mais segurança”, afirmou.

Para ele, os paulistas contaram com a ajuda de um comparsa local. “É incomum criminosos saírem do lugar de origem, principalmente em direção a outro Estado, sem ter alguém da nova área para indicar detalhes sobre a vítima, hora de atacar e para onde fugir. Com certeza eles têm um comparsa”, explicou.

Oportunidade. Silva Filho pontuou ainda que o acesso a essas informações foi provavelmente a maior motivação do trio. “Os grupos dedicados ao crime estão procurando novas oportunidades o tempo todo e, nesse caso, a oportunidade parece ter surgido a partir das informações das vítimas”.
Saiba mais
Máfia. A ação de uma suposta máfia chinesa, que age contra comerciantes e empresários chineses, voltou a ser destaque em São Paulo nesta semana, quando quatro chineses suspeitos de envolvimento no sequestro de uma imigrante foram presos na cidade. Foi o segundo caso do tipo na capital paulista neste ano – o primeiro ocorreu em maio.

Ação. Os suspeitos costumam cobrar taxas de proteção das vítimas, que trabalham em locais conhecidos pelo comércio popular em São Paulo, como Brás e 25 de Março, para que suas famílias não sejam agredidas, sequestradas ou mortas.

Investigação. A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou, via assessoria de imprensa, que investiga o caso, mas não confirma a existência da máfia. Procurada no fim da tarde desta quarta, a pasta não informou se tinha conhecimento sobre o trio preso em Belo Horizonte.

Recusa. A reportagem tentou conversar com os detidos, mas eles não quiseram dar entrevista.


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