Plantão Policial MG

Seu site de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais.

Rede Gerais





quarta-feira, 1 de abril de 2015

0 Policial que ajudou pai a fazer parto da própria filha encontra família

Encontro foi em Itaquaquecetuba na noite de terça-feira (31). Homem ligou para o 190 quando esposa estava em trabalho de parto.



Oito dias após fazer o parto da própria filha na garagem de casa, em Itaquaquecetuba (SP), o almoxarife David Pereira de Castro viveu um novo momento emocionante. Ele e a esposa Silene Maria Oliveira de Castro se encontraram pela primeira vez com a policial militar Glaucia Marina Ramos Diringer, que deu as orientações para a realização do parto da pequena Laura Oliveira de Castro, por telefone, por meio do atendimento pelo 190. A Polícia Militar divulgou o áudio com a conversa entre a cabo e o pai um dia depois do parto (ouça acima).

O encontro aconteceu na noite desta terça-feira (31) na casa da família, na Vila Maragogipe. "Chegou o anjo da guarda da Laura e da nossa família", disse David ao receber a policial. Muito emocionados, o pai e a policial se abraçaram. "O parto só foi um sucesso porque o senhor, desde o começo foi extremamente calmo", destacou a cabo Marina, como é chamada na corporação.
Cabo Marina conhece a pequena Laura; PM ajudou o pai a fazer o parto da própria filha por telefone, em Itaquaquecetuba. (Foto: Jamile Santana/G1)

Na casa, a policial pegou Laura no colo. Emocionada, falou sobre a sensação de encontrar pela primeira vez as pessoas que ajudou através do atendimento pelo 190. "Ela é linda. Esta é a primeira vez que eu conheço quem ajudei por telefone. É uma emoção muito grande porque nunca pensei que ajudaria a fazer um parto. Teve um momento em que eu fechei meus olhos e através da descrição do David, imaginei a cena, como forma de ajudá-los. Cheguei aqui e vi que o local é totalmente diferente do que imaginei, mas a calma do David foi essencial para que tudo desse certo", detalhou.
A mãe da pequena também falou sobre os momentos decisivos durante o nascimento. "Eu cheguei a desmaiar quando senti as dores da contração, mas como sabia que havia uma policial ao telefone passando instruções para o meu marido, consegui me concentrar. Eu queria ter um parto normal, mas acabei tendo um parto natural. A cabo Marina vai ser, para sempre, o anjo da guarda da Laura", disse Silene.
O casal começou a planejar o nascimento da caçula em maio do ano passado. "Eu fiz um plano de saúde já pensando em ter assistência para o pré-natal e parto. Planejamos tudo. Fomos até o hospital onde ela nasceria cinco vezes para ver a demora no trajeto. Nas últimas semanas andávamos com a minha mala e a dela prontas no carro. Um dia antes do nascimento, fui ao hospital e me liberaram porque eu não tinha dilatação. Além disso fomos muito discretos a gravidez inteira. Tenho apenas duas fotos de grávida publicadas em rede social. No fim, ela nasceu em casa e a história foi contada para muita gente", afirmou Silene.
O momento de maior emoção aconteceu na sala da família, quando pai, mãe e a policial ouviram, mais uma vez, a ligação feita por David ao 190 no dia do nascimento de Laura. "Eu chorei todas as vezes em que ouvi e vou continuar chorando a cada vez. Quando ela crescer, com certeza também vai se emocionar. O áudio vai ser reproduzido na festa de 1 ano dela e na festa de debutante também", contou o pai, orgulhoso. (Ouça acima)
Laura nasceu de forma inesperada, em um parto natural na garagem de casa quando os pais se preparavam para a ida até o hospital. A menina nasceu com 3,100 kg e 47 centímetros, mas o encontro só foi possível nesta terça-feira porque a bebê ficou internada durante quatro dias por causa de icterícia.
David, Silene e a cabo Marina ouviram juntos a
gravação do atendimento durante o parto de Laura,
em Itaquaquecetuba (Foto: Jamile Santana/G1)

Entenda o caso
Laura nasceu no dia 24 de março na garagem da casa da família, com a ajuda do pai e de uma vizinha e com as orientações da cabo Marina. O enteado dele de 17 anos também estava no local. Castro já tinha três filhos, mas nunca tinha visto um parto.

O almoxarife contou que no dia anterior levou a esposa, Silene, a um hospital em Arujá, cidade vizinha a Itaquaquecetuba, onde ela poderia ser atendida por causa de um convênio. “Mas não quiseram ficar com ela por não ter dilatação e a bolsa não ter rompido ainda. Mas ela já estava sentindo contrações e dores.”
Ele disse que pelo acompanhamento do pré-natal, Silene já tinha completado os nove meses de gestação. “Eu trabalho em São Paulo e no dia seguinte fui trabalhar. Quando cheguei no serviço, ela me ligou e disse que tinha rompido a bolsa. Fui correndo para casa. Quando cheguei, ela só conseguiu descer as escadas e disse que não tinha condições de entrar no carro. Eu a sentei em um banco e a coluna dela travou. Então, liguei para o 190.”
Por sorte, o pai foi atendido pela cabo da Polícia Militar Glaucia Marina Ramos Diringer, que tem formação em enfermagem e estava de plantão no Copom do Comando de Policiamento de Área Metropolitana – 12 (CPAM-12).
Castro disse que ela pediu que ele tirasse a esposa do banco e a deitasse. Neste momento, ele se lembrou de um colchão que estava no chão da sala e o trouxe para a garagem. Com a ajuda do enteado de 17 anos conseguiu tirar a esposa do banco e a posicionou no colchão. Uma vizinha percebendo a movimentação foi até a casa e começou a ajudá-lo. “Mandei meu menino ficar na escada para não ficar vendo. E conforme a policial me pediu para pegar lençol limpo e outras coisas, a minha vizinha falava com o meu menino, que subia e entregava para ela, que me trazia tudo.” Além de lidar com a emoção, Castro segurava o celular com uma mão e fazia o parto com a outra.
O pai descreve como um momento de pânico um instante em que ficou sem poder falar com a policial Marina. “Ela pediu um momento, acho que para falar com as viaturas. E eu não conseguia mais falar com ela. Foi justo nessa hora que a cabeça da bebê começou a sair. A boca dela estava com sangue e eu fiquei com medo dela abrir a boca, engolir o sangue e se sufocar. Eu não sabia o que fazer.”
Laura depois de receber cuidados médicos no hospital. (Foto: David Pereira de Castro/Arquivo Pessoal)

Durante todo o tempo, a policial orientava o pai sobre o procedimento.
PM - “Segura. Tá vindo o bebê?”
Pai - “Tá, tá. A cabecinha está para fora.”  
PM- “Então, pede para ela fazer força David.”
Pai - “Faz bastante força, Silene.”
PM - “Faz força. Quando vier a contração faz força.”
Pai – Faz força, Silene. Pelo amor de Deus! Tá saindo! Faz força, tá quase saindo Silene. Por favor...”

Enquanto o pai fazia o parto a policial Marina acionava o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Corpo de Bombeiro e viaturas da Polícia Militar para ajudarem no procedimento. Castro destacou que quando os policiais chegaram à casa só as pernas do bebê ainda não tinham saído. “Os  policiais fizeram o restante do parto e com mais uma força as pernas saíram. Os policiais pegaram a tesoura, cortaram o cordão e deram a criança para a minha esposa.”
Depois de terminado o parto, o Samu encaminhou mãe e filha para o Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. A mãe teve alta no dia 26, mas a menina ficou internada até o fim da semana por causa da icterícia.
Para o pai todo o processo foi muito intenso, especialmente porque ele nunca viu um de seus filhos nascer. “Eu tenho quase 50 anos e ela 37 anos, por isso nos programamos que esse ia ser nosso último bebê. Por isso, fiz a vasectomia há dois meses. Pensei que podíamos perder o bebê. Mas Deus tem que comandar e a menina decidiu nascer ali”. Ele explicou que junto com a esposa tem uma outra menina e com eles vive também o enteado de 17 anos. Além disso, ele tem outros dois filhos do primeiro casamento. “Eu achava que não ia ter coragem de acompanhar o parto. Tenho um neto da minha filha do primeiro casamento e o meu genro disse que era uma emoção acompanhar o parto. Eu estava me preparando para isso.”
Para a cabo Marina, com curso superior em enfermagem, esse foi o segundo parto que ajudou a fazer. Ela contou que o primeiro foi quando ainda estudava, há cerca de três anos. Marina estava de plantão no CPAM-12 e fez o parto na porta do quartel. Por isso, quando atendeu a ligação de David Castro e ouviu seu relato se concentrou em como ajudá-lo. “Eu fechei os olhos e pensei que teria que orientá-lo. Como sou professora de enfermagem também, imaginei a cena e fui falando de uma maneira que ele pudesse entender.”  A cabo disse que ficou com ele por 17 minutos no telefone.
O pai diz que nunca vai esquercer o que sentiu. “Já tive muitas emoções na minha vida. Já socorri um casal dentro de uma casa em um incêndio. Já sofri acidente de trânsito. Minha moto foi roubada dentro de casa com homens armados. Já tive arma apontada para a minha cabeça. Mas nada foi parecido com a emoção que tive durante o parto da minha filha. Nada se compara. Até a hora da minha morte, eu vou lembrar. Se eu nascer de novo, vou continuar lembrando”, afirma emocionado.
G1

Sobre o autor:

Site Dedicado aos profissionais de Segurança Pública
Previous Page Next Page Home

Regras Comentário: Não serão aceitos comentários que contenham palavrões, ofensas pessoais ou expressões que tenham por intuito ridicularizar outros leitores

0 comentários: