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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

1 Ser ou não ser Charlie Hebdo. Por Subten Henrique



Aproveitando a passagem do dia nacional de combate à segregação (ou discriminação) religiosa, trago à baila o tema “Charlie Hebdo”. Isso porque os temas se relacionam em tudo, se considerarmos a quantidade de pessoas (principalmente de renome internacional) que se posicionaram “Je Suis Charlie” (eu sou Charlie), logo após o atentado (?) contra a sede do Jornal Francês “Charlie Hebdo”.


É claro que cada um pode (e deve) apresentar “o como e o porquê” tem uma visão diferenciada, desde que, da melhor forma possível e, dentro do justificável. E, é exatamente em relação ao “justificável”, a nossa proposta de questionamento sobre o tema do título.


É fato concreto que houve o atentado no dia 07 de janeiro, ceifando 12 vidas de pessoas, que, certamente, não mereciam morrer, qualquer que fosse seu envolvimento ou responsabilidade, direta ou indireta, com as edições do periódico Charlie Hebdo. Também é fato indiscutível que este tipo de ataque é uma das formas mais cruéis de violência, a qual deve ser combatida e extirpada do contexto mundial, em respeito à vida humana.


No entanto, chamo a atenção dos leitores para o contexto do Jornal atacado, o Charlie Hebdo. Sua atuação no cenário social a partir de suas charges, também é uma forma cruel de violência. Tanto quanto o atentado descrito. A diferença está exatamente no “como” se age tanto um quanto outro grupo e, a “comoção” que o resultado imediato desperta, em quem assiste. A ação dos Chargistas passa despercebida, como uma mensagem subliminar, escancarada aos olhos de todos, mas invisível aos olhos da maioria. Neste caso, o pior, é que o estrago, o sentimento, a impotência, o resultado não se faz perceber, pois atinge uma massa de “desconhecidos”.


Alguém pode até dizer que não é assim, mas pensem: o fundamento daquilo que é satirizado é sempre, sempre algo importante para diversos grupos. No caso em tela, a ação do “Charlie Hebdo” detonou uma ação recíproca, contundente, de um grupo religioso e extremista. Mas devemos entender que dentre os seguidores de Maomé (como de qualquer religião) há pessoas boas, de índole inquestionável, caráter irrefutável e mansas, não adeptas da violência. Ou seja, a violência escrita, se refugia sob o espectro do princípio (e tese) da liberdade de expressão, o que é uma falácia, um argumento falso, uma justificativa fraudulenta, da qual devemos manter GRANDE distância.


Liberdade de expressão é o poder de discursar e expor suas ideias e opiniões próprias, sobre tudo que viu, entendeu (ou imaginou entender) ou julgou determinado assunto, matéria ou ato, considerando haver conhecimento suficiente para tal. Mas, de maneira alguma o princípio acima tem o condão de autorizar a exposição ao ridículo, de pessoas, credos ou as figuras que representam as crenças, as crendices de um ou outro grupo, seja grande ou pequeno. Mas, após o atentado pergunto: e quanto à agressão anterior imposta pelos pseudojornalistas através daquele periódico? Somos a favor dessa violência? Será que os jornalistas (antes) não mereciam o mesmo tratamento dos governos e representantes gritando “não à violência”? Então acho que mais surpresas virão.


Eu não sou Charlie por uma série de motivos, mas principalmente por ser contrário a qualquer tipo de violência, de segregação, etc. Também hoje não sou Charlie porque levo em conta alguns ditos: “quem com ferro fere, com ferro será ferido” e “quem planta vento, colhe tempestade”. Estes provérbios populares são verdadeiras joias de ensinamento que nos remetem às condutas mais austeras, mais prudentes, mais humanas. 


Não é mais possível continuarmos a aceitar o desrespeito explicitamente editado, sendo imposto a qualquer pessoa, independentemente dessa pessoa ser, ou não, de nosso círculo, sob o falso argumento da “liberdade de expressão”. Pensemos...



Antônio Henrique da Silva - Sub-Ten da Reserva da PMMG, graduado em Gestão Pública pelo UNI/BH e Pós-graduado em Políticas Públicas pela UFMG. Atualmente é graduando em Direito pela PUC/Minas.

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Sobre o autor:

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1 comentários:

  1. Por que não sou Charlie Hebdo - Je ne suis pas Charlie
    Com certeza eu engrosso a fileira que não aprova o terrorismo, porem de onde parte este terrorismo?
    Será que somente usando bombas ou armamentos pesados e ate aviões como arma se pratica o tal terrorismo?
    Pensemos fora da caixa do produto chamado meio, cujo vendedor e a mídia que controla a multidão, MESMO QUE SEJA ATRAVÉS DO HUMOR, pensemos de forma critica e pacifica, quem foi o primeiro a praticar o terrorismo? pergunto isto, pois o maior poderio de ataque pode não estar nas armas, mais sim nas mentes dispostas a disseminar o ódio e a intolerância,
    Uma jornalista adiantou que o Charlie não vai mudar o estilo provocativo. "Como fazer um jornal de debates, de sátiras, sem atacar as religiões?", Notem bem o que ela pergunta afirmando, a palavra ``ATACAR``. isto sim e o mais cruel do mundo do terror, pois vem mascarado com a desculpa de liberdade de imprensa mais usando um lápis para espalhar a intolerância e o ódio, diga-se de passagem que este ataque não e apenas ao islã O alvo, mais também o budismo, o cristianismo o induísmo ou eu, você... todos se tornaram alvos nesta triste rede de se fazer rir...
    No livro a arte da guerra de Sun Tzu diz: Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá toda guerra, portanto se alguém esta disposto a atacar, saiba que o atacado irá revidar, isto e natural, a questão e saber que o que o ataque não ficará impune, terá o contra ataque. não estou com isto defendendo a violência, de forma nenhuma, mais sim cobrando a responsabilidade dos atos cometidos, pois um lápis pode criar um grande genocídio.

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