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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

0 Bom senso, canjica e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Por Thiago Willker



Há tempos que não escrevia para o Plantão Policial, estava atarefado com questões pessoais. Enquanto estive ausente, houve inúmeras situações que mereceriam um bom texto, como exemplo, o ataque terrorista ao periódico francês Charlie Hebdo, a execução do brasileiro na Indonésia, escândalos e corrupção na Petrobras. Contudo, opto por tema mais simples e não menos importante, qual seja, bom senso... melhor dizendo, a falta de bom senso.

Após as eleições, fui transferido por “necessidade do serviço” para a 6ª Companhia do 1º BPM. Desde então, atendo ocorrência de tudo que é tipo e, a cada dia aprendo algo diferente. Com o tempo, pude perceber que boa parte dos problemas que demandam a intervenção policial decorrem da completa falta de bom senso das pessoas. Sei que esse texto não terá o condão de mudar a realidade que enfrentamos, mas, permitirá aos leitores, compreender o dia-a-dia de um militar que trabalha na região central de Belo Horizonte e, qualquer semelhança com o seu local de trabalho é mera coincidência.

Começando, o prédio da 1ª RISP (Região Integrada de Segurança Pública – onde policiais civis e militares trabalham em conjunto) possui estacionamento que é aberto, nos finais de semana, a todo e qualquer policial, exige-se tão somente a identificação. Em uma bela manhã de sábado, um cidadão adentra no estacionamento sem parar o veículo e sem identificar-se para a sentinela. Quando estacionou e desembarcou, foi abordado. A sentinela perguntou à pessoa se ela era policial, a pessoa disse que era tenente-coronel, não vou mencionar a unidade por ser desnecessário; a sentinela perguntou se ele possuía a identificação, obtendo resposta positiva; a sentinela pediu que a carteira de polícia fosse apresentada, e, como se estivesse fazendo um grande favor, a pessoa exibiu a carteira, enfiou no bolso e saiu andando. Todo e qualquer policial conhece as atribuições da sentinela, todo e qualquer policial já trabalhou como sentinela, ainda que seja nos cursos de formação, mas, a falta de bom senso dificultou um pouco o trabalho.

Quem não viu ou ouviu falar no desentendimento que houve entre a Polícia Militar e a Guarda Municipal, na rodoviária? Como trabalho na região, conversei com um, conversei com outro e, existem algumas informações que foram consensuais. Inicialmente, um grupo de guardas municipais foram abordar um cidadão que era suspeito de angariar passageiros para o transporte clandestino. 

Quando abordado, o cidadão disse que era militar e saiu andando, questionado sobre a condição de militar, recusou-se a identificar... resultado, duas versões: a primeira, o guarda efetuou disparo de teaser para impedir que o cidadão evadisse; a segunda, o teaser foi utilizado após um guarda municipal tentar segurar o cidadão e ser agredido. Qual das duas versões é a verdadeira? Não sei, possivelmente, será apurado em uma sindicância. Agora, se o cidadão, que de fato era militar, tivesse parado, utilizado o bom senso e a humildade para se identificar, não teríamos maiores complicações.

Por fim, um policial civil compra um par de óculos para sua esposa, no Shopping Oiapoque. Quando está do lado de fora, verifica que uma das lentes está arranhada e volta para trocar o produto. Como de costume, o lojista se recusou a trocar, iniciou-se uma discussão que culminou com o policial sacando da arma de fogo, confesso que não sei se o saque foi para se defender ou para intimidar. Sei que pessoas normais ficariam intimidadas ao ver uma arma de fogo, mas, no Oiapoque isso não intimida. Pelo contrário, gerou uma grande confusão. Observem que por causa de uns vinte a trinta reais e pela falta de bom senso (tanto do policial quanto do lojista), uma tragédia poderia ter ocorrido.

Por essas e outras é que optei por escrever sobre a falta de bom senso e suas consequências. É pela falta de bom senso de alguns, associada à figura da “autoridade”, de achar que manda e desmanda, que o bom andamento dos trabalhos fica sobremaneira prejudicado. 

Reclamamos de políticos, de juízes e de promotores que abusam do poder e dão “carteirada”, mas, pelos exemplos que apresentei, infelizmente, temos companheiros que apreciam a ideia do “você sabe com quem você está falando?”. Finalizo esse texto com aquela velha máxima: “todo mundo que a gente encontra na vida está enfrentando uma batalha que você não sabe nada a respeito. Seja gentil com todo mundo, sempre!”.

#pensediferente
Abraços



Thiago Willker - Cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Bacharel em Direito formado na Universidade Federal de Minas Gerais.


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