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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

0 Polícia Civil prende marido de vereadora de Confins durante entrevista à rádio

Foi preso, na tarde desta terça-feira (9), o marido da vereadora Flávia Renata Oliveira Silva Cruz, no momento em que ele dava uma entrevista à rádio Itatiaia. A prisão foi feita em cumprimento a um mandado de prisão, durante a operação “Lavagem III” deflagrada pela Polícia Civil.

A prisão de Cruz foi narrada pelo jornalista Eduardo Costa, que apresentava um programa ao vivo. Ele ainda tentou argumentar com os policiais, ressaltando que eles não haviam apresentado nenhum mandado para invadir a sede da emissora. "Não acho crível, lógico, correto que invadam o estúdio para fazer uma prisão. Poderiam no mínimo ter a delicadeza de esperar na porta do estúdio. Mais ainda na porta da rádio", disse. "Longe de mim querer atrapalhar uma ordem. Se há mandado de prisão, ele será cumprido. Só que na hora certa e no lugar certo", salientou o jornalista.

Veja imagens do circuito interno da rádio (a invasão acontece aos 4min10)


Na volta do programa, ele narrou aos ouvintes o que acontecia no estúdio. "Quero comunicar aos senhores que, neste momento, dois policiais civis estão no estúdio da rádio Itatiaia para prender o Armando, marido da vereadora de Confins. Até aqui, respeitosamente, estou resistindo e dizendo a eles que não acho crível, lógico, correto que invadam o estúdio da maior emissora de Minas para fazer uma prisão", disse Costa.
O presidente da emissora, Emanuel Carneiro, disse, em notícia veiculada na própria Itatiaia, que "a falta de respeito ao profissional de imprensa está muito acentuada". Ele classificou o episódio como "pontual" porque nunca tinha visto antes uma invasão de estúdio por policiais armados.
 
"O apresentador Eduardo Costa pediu um pouquinho de paciência e não foi respeitado. Não vou entrar no mérito se o convidado é do bem ou do mal, mas ele foi retirado algemado da rádio. Uma jornalista da Itatiaia foi empurrada. Um espetáculo muito ruim", disse Carneiro.
Em nota, a Polícia Civil explica a circunstância em que foi ratificada a prisão de Cruz. Veja abaixo:
 
"Por determinação do chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Oliveira Santiago Maciel, a Corregedoria Geral já iniciou apuração capaz de esclarecer as circunstâncias em que dois policiais civis cumpriram um mandado de prisão nas dependências da Rádio Itatiaia, na tarde desta terça-feira.
 
Armando Júnio Pereira da Cruz, investigado na operação Lavagem III, é suspeito de coagir testemunhas e havia acabado de conceder entrevista ao vivo quando foi detido por dois investigadores da Superintendência de Informações e Inteligência Policial. 
 
A operação Lavagem III, que apura fraudes em licitações, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e falsidade ideológica no município de Confins, conta com parceria institucional do Ministério Público e do Poder Judiciário.
 
O corregedor geral adjunto, delegado Antônio Gama, já esteve na emissora, onde recolheu imagens de vídeo que registram a ação e levantou informações para elaboração do relatório preliminar capaz de subsidiar o procedimento investigativo. 
 
A Polícia Civil reafirma que rejeita quaisquer práticas que atinjam a liberdade de imprensa, atributo que caracteriza a reconhecida independência dos veículos de comunicação do nosso país".
Operação Lavagem III


O objetivo da operação é apurar o envolvimento do presidente da Câmara Municipal de Confins, o vereador Aladir José Pessoa de Souza, e de outros suspeitos que estariam envolvidos no esquema de fraude, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e corrupção.
 
Segundo o delegado Jonas Tomazi, responsável pela operação, sete pessoas haviam sido presas, incluindo o marido da vereadora Flávia, até a publicação desta reportagem. Ao todo, a polícia pretende cumprir 24 mandados de busca e apreensão e diversos de prisão preventiva e temporária. 
 
A operação acontece simultaneamente em Belo Horizonte, Confins, Vespasiano, Sete Lagoas e Santa Luzia. São 115 policiais, incluindo de delegacias especializadas, trabalhando para cumprir os mandados.
 
De acordo com Tomazi, a sociedade precisa conhecer a importância da investigação em "reprimir a criminalidade do colarinho branco". E acrescentou ainda que esse tipo de crime é o "responsável pelo desvio do dinheiro público e consequentemente má prestação dos serviços básicos à sociedade, como educação, saúde e segurança".
 
A operação “Lavagem III” é deflagrada no dia internacional de combate à corrupção, em decorrência das operações "Lavagem I" e "Lavagem II".
 
Esquema
 
O vereador Aladir era proprietário de empresas fornecedoras de produtos e serviços e participava de licitações em Confins, que eram burladas mediante acordo entre os licitantes para que sua empresa vencesse o certame público. As reuniões ocorriam antes do início do pregão para apresentação das propostas, no próprio pátio da Prefeitura Municipal, momento em que os resultados eram combinados. Antes mesmo de a licitação iniciar, os autores já sabiam quem ganharia o certame.
 
Aladir e outros três suspeitos foram indiciados por falsidade ideológica, organização criminosa, concussão, corrupção passiva e fraudes em licitações. As penas somadas chegam a 37 anos de prisão.

*Com Agências Estado e Folhapress.

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