Região de Belo Horizonte que virou ponto de encontro de turistas durante a Copa do Mundo, a Savassi também vai ser palco, nesta terça (17), de manifestações contra a realização do evento. Um protesto está marcado para o meio-dia, na Praça Diogo de Vasconcelos, que vai receber reforço no policiamento. Se for necessário, a Polícia Militar vai fechar as ruas do entorno e isolar os manifestantes, tal como ocorreu sábado, na Praça 7.
 
A tática, conhecida como kettling – adotada pela primeira vez em 1986, durante uma manifestação na cidade alemã de Hamburgo –, será usada para prevenir vandalismos na área que concentra o maior número de estrangeiros durante os jogos. “Em linhas gerais, a PM vai agir do mesmo modo (usado no sábado). Mas, com ações diferentes, dependendo do comportamento dos manifestantes”, explicou o chefe da comunicação da corporação, tenente-coronel Aberto Luiz.
 
Os organizadores do protesto garantem que o objetivo das manifestações sempre foi pacífico, mas que não criminalizam quem defende outros tipos de estratégia. A comissão de comunicação da Assembleia Popular Horizontal (APH) afirmou que pretende fazer um evento denominado “anti-Fifa-Fan-Fest”. Serão distribuídos panfletos em cinco línguas e está programada uma ocupação cultural com projeções e até futebol na rua. A proposta, dizem os organizadores, é dialogar com a população.
 
A mudança do local das manifestações, cujas concentrações desde o ano passado ocorreram na Praça 7, também é usada para testar a Polícia Militar. “É muito fácil fechar o Centro. Queremos ver dar batida e agir de forma truculenta na Savassi, cercada de estrangeiros e de pessoas de classe social mais alta”, desafia um dos membros da comissão da APH. 
 
A Polícia Militar garante que vai agir dentro da lei, mas de forma rígida. Os questionamentos que existem sobre esse tipo de postura por parte dos manifestantes, que alegam cerceamento de direitos, são rebatidos. 
 
“Direito faz parte de um debate, que requer interpretação. Eles querem que seus direitos sejam garantidos, mas não os dos outros. Estão vivendo em ‘Matrix’ e precisam voltar para a realidade”, criticou o porta-voz da PM.
 
Apreensão
 
Em meio a um cenário cujo desfecho não pode ser previsto, comerciantes defendem o direito à manifestação, mas estão apreensivos. “O direito à manifestação não se discute. O que nos preocupa é a possibilidade de terminar em vandalismo. Isso gera prejuízo não só para o comércio, mas para a cidade em geral, sem falar nos turistas que vão estar no meio da confusão”, afirmou o coordenador da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) na Savassi, Alessandro Runcini.
 
Morador da avenida Getúlio Vargas, o empresário Jêsus Ferreira, de 58 anos, mantém o otimismo. “Não acredito que vá acontecer nada. As pessoas estão muito felizes e a festa está organizada, sem qualquer tumulto. Que continue assim!”. (*) Com Renato Fonseca
 
Saiba mais:
Apenas em um dia, 15 presos em BH
Ao todo, 15 pessoas foram presas por suspeita de atos criminosos durante a manifestação no Centro de BH, no último sábado. Dentre os conduzidos, estão três adolescentes, encaminhados ao Juizado da Infância e da Juventude.
Três adultos foram presos em flagrante e outros nove assinaram Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs).
 
População reconhece aumento da sensação de segurança nas ruas
 
O aumento no efetivo da Polícia Militar em Belo Horizonte por causa da Copa do Mundo tem sido visto com bons olhos. O reforço do policiamento em pontos turísticos e vias importantes da cidade é um exemplo que, para os belo-horizontinos, deveria ser pensado como um legado da competição.
 
“Esse é um cenário positivo, que deveria ser mantido depois da Copa. Apesar de não acreditar que isso vá acontecer, é bom ressaltar que isso garante a sensação de segurança”, avalia o administrador Rodrigo Cicutti, de 44 anos. Morador do bairro Buritis, região Oeste da capital, ele aproveitou a segunda-feira para passear com os filhos na Praça da Liberdade, que teve o policiamento reforçado.
 
A estudante de design Gabriella Seabra, de 19 anos, também concorda que o número de policiais nas ruas aumenta a segurança da população. “As pessoas ficam mais tranquilas para sair na rua e aproveitar os espaços da cidade”, diz.
 
A própria Polícia Militar reconhece a importância do reforço no policiamento preventivo, mas alega que obstáculos impedem a manutenção do esforço de forma definitiva. 
 
“Hoje não temos efetivo suficiente. Alguns policiais que estão na rua são do interior e do curso de formação da PM. Ainda assim, vamos continuar intensificando as ações preventivas”, explica o chefe da comunicação da corporação, tenente-coronel Alberto Luiz. A PM conta com um efetivo de cerca de 44 mil policiais. A previsão é a de que o número possa chegar a 51 mil em 2015.

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*Com Renato Fonseca