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quarta-feira, 14 de maio de 2014

0 Batalha anunciada: BH terá 1º protesto contra a Copa amanhã

Manchete do jornal Estado de Minas mostra como policiais e manifestantes preparam estratégias para onda de protestos. População está sujeita a bloqueios, vandalismo e confrontos, como os que aconteceram no ano passado.

A pergunta que fica é: Diante dessa guerra anunciada, a impresa e a sociedade irão acusar a Polícia de ser omissa por ficar na defensiva ou de truculenta por defender a vida e os patrimônios público e privado? Confira:


Black blocs, manifestantes e policiais se preparam para o primeiro grande protesto do ano contra a Copa do Mundo, amanhã, partindo da Praça Raul Soares, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A menos de um mês da competição, os dois lados podem entrar em confronto, trazendo à tona os fantasmas da Copa das Confederações, no ano passado, que deixaram cidadãos à mercê de bloqueios de tráfego e batalhas campais com um rastro de destruição, dois mortos e um número não contabilizado de feridos. A recomendação de especialistas é de que as pessoas se afastem quando presenciarem saques, depredações e bloqueios da polícia. Do lado de quem protesta, a marcação de passeatas se multiplica pelas redes sociais, com milhares de confirmações e a divulgação de estratégias de ataque e fechamento de ruas. Por sua parte, a Polícia Militar treinou homens do Batalhão de Choque especialmente para capturar nos grupos de manifestantes lideranças e vândalos flagrados cometendo crimes. Apesar disso, a polícia não conseguiu que os 176 suspeitos que pretendia ver presos preventivamente fossem detidos por crimes cometidos nos protestos do ano passado.

Com reforços vindos até do interior, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou que pretende contar com mais de 12 mil policiais durante a Copa. Ontem, em mesa-redonda na Assembleia Legislativa, o secretário da pasta, Rômulo Ferraz, disse aos deputados estaduais que o reforço no policiamento começa a atuar em nove dias, para dar segurança a turistas que cheguem com antecedência à cidade. “Se houver manifestações, serão promovidas por grupos organizados e sectários, e até podem ser mais violentas. De qualquer forma, o estado está mais preparado e há um planejamento de segurança que vai garantir a tranquilidade a turistas e cidadãos no período”, disse, no encontro. Hoje o Ministério Público sedia a primeira reunião do ano da Comissão de Monitoramento das Manifestações, um fórum para autoridades, movimentos sociais e representantes dos direitos humanos garantirem o direito à livre manifestação, sem violência.

Só a PM investiu R$ 22 milhões para se equipar com coletes, capacetes, difusores de gás de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo, explosivos de efeito moral e munição menos letal, como balas de borracha e tasers – as pistolas de choque elétrico. Uma das inovações é o treinamento de grupos de policiais que serão destacados para atuar cirurgicamente, prendendo suspeitos infiltrados entre manifestantes ou protegidos por eles. De acordo com o tenente-coronel Alberto Luiz Alves, chefe do Departamento de Comunicação Organizacional da PM, a tática envolve militares dando segurança em torno dos que realizarão a captura. Os alvos são lideranças mais violentas ou vândalos flagrados em algum crime. A imobilização desses suspeitos será feita com tasers, armamento que gera pulsos elétricos capazes de paralisar um homem instantaneamente.

INCITAÇÃO
Enquanto a PM se equipa e promove treinamentos, manifestantes se organizam principalmente por redes sociais e páginas da internet. Além de convocar mais gente para passeatas, postagens de alguns grupos ligados aos black blocs orientam sobre como usar navegadores da internet para convocar mais pessoas e incitam os participantes a atacar policiais. Usando o termo “drinks flambados” para designar coquetéis molotovs, uma dessas postagens, que tinha centenas de acessos, dizia: “Façam já seus drinks flambados”, mostrando a imagem de uma mulher segurando uma garrafa de refrigerante com líquido inflamável e o pavio aceso.

Outras indicações mostram como se vestir de forma a facilitar a locomoção para ataque e fuga: “Óculos, protetor, lenço para o rosto, blusa e calça comprida para cobrir tatuagens (o que dificulta a identificação da pessoa pela polícia), como também para se proteger de estilhaços de bombas. Luvas para proteger as mãos e tênis ou botas para correr também são essenciais”.

Em outro texto são dadas dicas dos melhores equipamentos de defesa contra o gás lacrimogêneo, inclusive com fotos de materiais, como máscaras de pintor ou de serralheiro, óculos de proteção, garrafa de água com spray e antiácido líquido, indicando a melhor marca. A mistura dessa substância com água na garrafa com spray ganha nas páginas o nome de “remédio para gás lacrimogêneo”, com orientação de uso e a informação de que “é igualmente eficaz para spray de pimenta”.

Escolta de prontidão

Policiais do Batalhão Rotam passaram ontem por treinamento para escoltar autoridades e seleções durante a Copa do Mundo, em Belo Horizonte. Uma pista foi montada com cones, para aperfeiçoar o trabalho dos batedores que atuarão com motocicletas. Também foram simulados deslocamentos no interior de favelas e ações de controle de tumulto. Os militares serão responsáveis pela segurança de três delegações: a da Argentina, que ficará hospedada na Cidade do Galo, a do Chile, que ficará na Toca da Raposa 2, e a do Uruguai, que ficará em Sete Lagoas, na Região Central do estado. Os militares da Rotam farão ainda a escolta de outras 12 delegações que estarão de passagem por Belo Horizonte nos dias dos jogos. “Vamos escoltar todas as saídas para jogos e treinamentos”, informou o comandante do batalhão, tenente-coronel Carlos Alberto Sacramento.

Agenda de manifestações

Enquanto a contagem regressiva para a Copa do Mundo se aproxima do fim, vários grupos organizados de Belo Horizonte já declararam aberta a temporada das manifestações. Se na última segunda-feira cerca de 250 integrantes do Movimento Tarifa Zero BH conseguiram travar o trânsito em várias regiões da capital, outro ato marcado para as 17h de amanhã, na Praça Raul Soares, Região Centro-Sul, ameaça com caos ainda maior. O 15 de maio foi escolhido como o Dia Internacional de Lutas contra a Copa do Mundo 2014 e as convocações para o protesto se alastram pelas redes sociais.

Milhares de pessoas já confirmaram presença em páginas na internet. Em apenas uma delas, mais de 30 mil pessoas garantiram que estarão presentes em outro ato, em 14 de junho, quando ocorre o primeiro jogo da Copa em Belo Horizonte, entre Colômbia e Grécia.

Até mesmo uma enquete para escolher os melhores trajetos das manifestações foi lançada na internet. O local de concentração já está definido: Praça Sete, Centro de BH, “como de costume”, dizem. O internauta pode votar na enquete até junho, dias antes da Copa do Mundo. Por enquanto, “parar as ruas de principal acesso ao estádio Mineirão” é a opção mais votada, com 225 votos.

O Movimento Tarifa Zero informou que novos protestos serão definidos até sexta-feira. Uma preocupação dos manifestantes é tentar convencer a população de que os transtornos no trânsito já existem mesmo sem ocupação de ruas. “É óbvio que a gente para o trânsito, mas o problema é a falta de uma política de mobilidade urbana”, diz André Veloso.

Matheus Malta é da União da Juventude Rebelião, que atua em movimentos estudantis e de luta da periferia, e conta que eles também estão se preparando para os protestos. “Já temos advogados cadastrados para atuar em casos de repressão policial e lutar pelos direitos democráticos dos manifestantes”, disse Matheus.

Precaução nos protestos
Apesar de favorável à adesão popular às manifestações, o especialista em segurança pública, mestre em antropologia e ex-capitão do Bope Paulo Storani enxerga dois momentos em que as pessoas devem de afastar das manifestações que ocorrerão durante a Copa do Mundo, para preservar sua integridade. “As armas menos letais usadas pelas forças de segurança pública não distinguem quem é vândalo de quem é manifestante. Portanto, se a pessoa vir que está havendo depredação e furtos, deve se afastar para não ser confundida”, afirma.

Em outra situação, o especialista considera que a aproximação de áreas bloqueadas pela polícia deve ser evitada. O especialista também prevê que haja menos “pessoas de bem” nas manifestações e prevê problemas de trânsito e de segurança trazidos pelos adeptos de táticas mais radicais. “Quem adotou essa forma de se manifestar que leva à violência, depredação e crimes afugentou as pessoas de bem dos protestos e fez com que a opinião pública não apoiasse mais essas ações como no início”, avalia.

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