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sábado, 1 de fevereiro de 2014

0 Lei Seca: Motoristas usam ‘barqueiros’ para fugir de blitze

Reportagem do Jornal O Tempo

Frequentadores de bares e restaurantes da região Centro-Sul de Belo Horizonte contam com um novo serviço para burlar a Lei Seca. São os chamados “barqueiros”, profissionais já comuns no Rio de Janeiro e cada vez mais populares na capital mineira. São pessoas que procuram motoristas bebendo em bares e restaurantes e se oferecem para conduzir o veículo deles até passar por blitze realizadas nas imediações. A prática, considerada de alto risco para quem aceita o serviço de um desconhecido, será investigada pelo serviço de inteligência do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar.

A reportagem visitou estabelecimentos da região Centro-Sul de Belo Horizonte. Vários frequentadores e funcionários de bares relataram conhecer o “profissional”. Segundo eles, os “barqueiros” observam os clientes e se informam também sobre as blitze nas proximidades. A abordagem é feita quando o frequentador sai do bar. O serviço custa entre R$ 40 e R$ 50 e inclui a condução do veículo até um local após a blitz, longe do cerco policial.

De acordo com o funcionário de um restaurante do bairro de Lourdes, que pediu para não ser identificado, com a intensificação das blitze da Lei Seca os próprios manobristas dos estabelecimentos estão oferecendo o serviço. “Eles fazem isso ‘por fora’. De uns tempos para cá, está acontecendo, sim”, disse. Um manobrista da região admitiu o esquema. “É possível, combinando um valor”, declarou. 

Riscos. A modalidade da travessia dos bares até depois da blitz é crime. Ela pode render uma multa de R$ 191,54 tanto para o motorista quanto para o “barqueiro” – além de prisão para esse último (entenda a legislação no quadro abaixo). 

O comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, tenente-coronel Edvaldo Piccinini, também alerta que aceitar esse tipo de carona é altamente perigoso. “Entregar o carro para uma pessoa que você nunca viu é totalmente contraindicado. A pessoa pode estar interessada em roubar o carro ou até mesmo combinar com um comparsa de invadir a casa da vítima. Não aconselhamos a ninguém contratar esse tipo de serviço”, argumentou Piccinini. O militar disse que ainda não se deparou com nenhum “barqueiro” em atuação, mas que o serviço de inteligência da polícia vai apurar a modalidade.

O diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – seção Minas Gerais (Abrasel-MG), Lucas Pêgo, informou que desconhece esse tipo de ação, mas que certamente ela está ocorrendo fora dos estabelecimentos comerciais, sem a participação dos donos. “Os proprietários dos bares jamais compactuariam com esse tipo de serviço, que foge da formalidade e que pode oferecer risco aos frequentadores”, garantiu.

Opção vetada
Ônibus. O prefeito Marcio Lacerda vetou neste mês o “ônibus da balada”, que atenderia as regiões boêmias das 21h às 5h, de quinta a sábado, e das 18h à 1h, no domingo e na segunda.
Números da Lei Seca
Blitze. As fiscalizações da campanha “Sou pela Vida. Dirijo sem Bebida” são diárias na capital. São entre quatro e cinco operações por dia, em diferentes pontos da cidade. Nos fins de semana, há reforço no policiamento.
Prisões.  Entre as mais de 15 mil multas aos motoristas flagrados em blitze no ano passado, 1.546 foram por embriaguez – 10%. Desses, 1.198 resultaram em prisões em flagrante, que subiram 761% na comparação com o ano anterior, quando 139 condutores foram presos.
Bafômetro. Entre 5 de agosto de 2011 – quando não soprar o bafômetro passou a ser passível de punição administrativa – e anteontem, foram abordados 102.268 motoristas nas blitze, e 1.181 deles se recusaram a fazer o teste.
Acidentes. O número de acidentes com vítimas caiu 15,8% na capital entre 2012 e 2013 – 15.414 para 12.973.

Redes sociais são entrave
Além dos “barqueiros”, as fiscalizações da Lei Seca esbarram também nos aplicativos e perfis nas redes sociais que divulgam o endereço das blitze para que os motoristas possam pegar outras rotas.

A Polícia Militar (PM) informou que a prática online, além de estimular que pessoas dirijam embriagadas, serve de fonte para bandidos que praticam assaltos e querem fugir de cercos policiais.

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