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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

0 Justiceiros do Flamengo. Ou: não podemos ser como eles

por Rodrigo Constantino

 A foto do adolescente nu preso a um poste no Flamengo ganhou as redes sociais ontem. O garoto, que foi identificado como um ladrão da área, teria sido alvo de um grupo que se denominou “os justiceiros”. Neste texto, pretendo expor minha visão sobre o assunto. Adianto que não necessariamente irá agradar àqueles que aplaudiram a atitude.

Primeiro, vamos ao relato do ocorrido:
Segundo a artista plástica Yvonne Bezerra de Melo, coordenadora e fundadora do projeto Uerê (ONG que oferece educação a crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem decorrentes de traumas), o grupo tirou a roupa do adolescente e o prendeu pelo pescoço a um poste usando uma trava de bicicleta. Yvonne foi chamada por vizinhos, que flagraram a cena, registrou a situação e compartilhou em sua página no Facebook. O rapaz disse seus agressores eram “os justiceiros de moto”. Internautas afirmam que o adolescente praticaria roubos e furtos na região. A delegada Monique Vidal, titular da 9ª DP (Catete), registrou nesta segunda-feira a ocorrência e abriu inquérito para investigar a agressão. 

Assumindo tudo como verdade, como reagir? Que partido tomar? Como diria Jack, o estripador, vamos por partes. Começo pela justa sede de punição por parte da população ordeira. Ninguém decente aguenta mais tanta impunidade, tanto marginal, tanto imposto a fundo perdido. É natural desejar fazer justiça com as próprias mãos, uma vez que essas pessoas são vítimas de assaltos frequentemente, e as autoridades nada fazem.
Quando um “di menor” desses é preso em flagrante, o ECA faz sua parte, que não é nada boa. Garante ao galalau sua condição de inimputável, e em poucos meses ou anos o marmanjo estará solto para praticar roubos novamente. Essa sensação de impotência é mortal para o estado de direito, para a confiança nas leis. A justiça é institucionalizada para impedir a vingança pessoal. Mas ela precisa funcionar.

Para adicionar insulto à injúria, as pessoas de bem precisam aturar uma legião de “intelectuais” e “especialistas”, todos de esquerda, justificando a bandidagem, tratando criminosos como as verdadeiras vítimas,  ”vítimas da sociedade”, e saindo sempre em sua defesa.

Há uma turma dos “direitos humanos” (ou “direito dos manos”) que parece só se sensibilizar quando os marginais são alvo de ataque, nunca quando inocentes pagam o preço do crime. É muita inversão de valores, revoltante para gente do bem.

Notem que sociólogos, psicólogos e antropólogos sempre sentem “peninha” dos marginais, nunca do garoto que também nasceu na comunidade pobre, mas em vez de roubar, estuda duro para ser alguém na vida. É uma sensibilidade muito mal calibrada priorizar os delinquentes ao invés de focar naqueles que fazem as escolhas certas. E sim, são escolhas!

Dito tudo isso, não posso aplaudir os justiceiros. Como ficou claro, entendo sua revolta, seu desespero até, sua sede de vingança e justiça. Mas os meios escolhidos são errados. São, inclusive, parecidos com aqueles que o lado de lá utiliza, imbuído de seu sentimento de pureza e justiça.

Invasores de propriedade privada, mascarados que depredam patrimônio público, rolezeiros que invadem shopping center, petistas mensaleiros que se julgam acima das leis porque roubaram para uma causa “nobre”, todos eles cometem o erro de justificar seus instrumentos ilegítimos com sua finalidade “justa”.

Claro, no caso deles o próprio fim é abjeto, o que não ocorre no caso dos “justiceiros do Flamengo”. De fato, punir um marginal que vive nas redondezas, impunemente, roubando pessoas inocentes parece um objetivo justo. Mas não se deve ignorar o devido processo legal e substituir o estado em sua função mais básica.

Que fique claro: não estou condenando a legítima defesa aqui. Em hipótese alguma! Se um marginal desses tenta assaltar uma senhora, e como reação, um grupo de cidadãos parte para cima e a defende, dando um corretivo no bandido, isso é obviamente digno de aplausos.

Mas não da forma que foi feita. Não com sadismo, tortura, humilhação desnecessária, linchamento. Ao agir desta maneira, os “justiceiros” acabam se tornando, também, potenciais marginais. Os “camisas negras” que formaram na Itália a Milícia Voluntária para a Segurança Nacional, organizados por Mussolini, achavam-se justiceiros acima das leis corruptas também. Deu no que deu.

Portanto, condeno a atitude desses justiceiros, apesar de compreender sua revolta. O certo seria chamar a polícia e prender o marginal. Sei que isso é pouco eficaz, pois as leis funcionam, muitas vezes, para proteger esses delinquentes, graças aos esquerdistas. Mas que lutemos para alterar essas leis e a mentalidade vigente, que retira a responsabilidade do indivíduo criminoso.

Saibamos lutar da forma certa, pois os meios utilizados fazem toda a diferença do mundo. Afinal, nós não somos como eles, nem devemos ser. Nós não vamos colocar máscaras e fazer justiça com as próprias mãos. Não vamos assumir o papel de polícia e juiz por conta própria. Nós vamos lutar pelo estado democrático de direito, pelo império das leis isonômicas, e pelo fim da impunidade. Tudo dentro da própria lei.
PS: Deixo aqui um recado final aos esquerdistas: tenham mais responsabilidade! Vejam o que estão ajudando a criar com esse discurso podre que trata marginais como vítimas. A sociedade ordeira não aguenta mais! E isso é uma reação, equivocada e desesperada, a tudo aquilo que vocês têm ajudado a criar. Quem semeia vento colhe tempestade. Sei que alguns desejam mesmo a tempestade, pois são invejosos, niilistas. Aos demais, inocentes úteis da causa, acordem enquanto há tempo. O Brasil precisa acabar com a impunidade legal antes que seja tarde. Parem de “perdoar” bandidos e peçam sua punição!

Fonte: Revista Veja

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