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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

0 A Arte da Manipulação


Desde o início da humanidade o homem usa das manipulações pra se impor perante suas comunidades. Mesmo antes da vida em sociedade, quando usava seus instintos mais primitivos pra sobreviver, o homem se exibia para a fêmea e se especializava nas atividades de caça e proteção para ter acesso ao sexo e a família.
 Foi assim que as primeiras famílias e comunidades surgiram. Assim se desenvolveu as principais sociedades do passado, quando os primeiros raciocínios formaram os primeiros líderes e as tradições formaram as primeiras civilizações. 
 
Os chefes, Reis ou Imperadores eram os herdeiros desses líderes e a eles cabiam as decisões e as interpretações do mundo espiritual. Eram esses líderes os representantes dos deuses e ao restante não cabia questionar a lei. As principais civilizações se desenvolveram no médio oriente, mas ao longo do tempo o excesso de dependência dos dogmas religiosos ou espirituais não permitiram uma evolução mais científica do ser humano, e o ocidente, após as revoluções do pensamento com a filosofia e influência dos pensadores gregos e de movimentos como o renascentismo e o iluminismo, assumiram posição de destaque perante a humanidade. 
 
 
A Manipulação
A Grécia clássica ensinou o sofisma, a retórica e as muitas formas de manipulação pelo domínio de técnicas da fala e do convencimento. Essas técnicas foram aprimoradas ao longo da história e foram sendo difundidas até serem de acesso comum. Embora sejam técnicas milenares, jamais caíram no desuso, ao contrário receberam maior importância com o passar dos anos. 
Desde a Grécia clássica muita coisa mudou, mas, ao contrário, os sofismas e as falácias foram aprimoradas e a todo momento, mesmo que de forma dissimulada, somos manipulados de alguma forma se não conhecemos o mecanismo. Não bastassem as falaciosas propagandas políticas, somos conduzidos em família, no trabalho ou nos relacionamentos pessoais. Mas a questão que vamos discutir de forma mais específica é a manipulação no ambiente de trabalho. Isso por que as chefias não podem desafiar todos os seus funcionários ou empregados pra impor suas vontades ou inviabiliza o ambiente de trabalho. Prevalece a força no ambiente de trabalho, mas em tempos dos direitos humanos, isonomia e dignidade da pessoa, essa força não pode ultrapassar os limites da lei, pelo menos teoricamente. Aí que surge a força do assédio moral e as falácias transformando crimes em controle da disciplina e da hierarquia ou controle de qualidade. 
Pra impor suas arbitrariedades e privilegiar pequenos grupos, as chefias se valem naturalmente da ajuda de grande parte dos seus efetivos. Abre-se nas empresas uma espécie de sistema de castas com uma graduação invisível que vai do “amigo do rei”, ou amigos das chefias, até uma maioria de colaboradores úteis. Esses últimos não sabem ou fingem que não percebem, mas serão e são usados. Jamais terão acesso ao topo dessa pirâmide estratégica ou aos principais cargos de chefia. No entanto receberão afagos como participação em comissões de média relevância e elogios verbais ou escritos dos chefes. Mas se o assunto é promoção não a alcançarão antes dos amigos da chefia, esses sim, com acesso aos principais cargos e funções e, em decorrência deles viagens com recebimento de diárias e outras benesses que variam, mas podem chegar a recebimento de bônus, carros com cota livre de combustível para transporte e amizades úteis com autoridades políticas de empresas, públicas ou privadas. Raramente isso não vai render favores que atingem família e recebimento de presentes diversos. 
Mas esse retorno deve ser útil também para as corporações ou também será trocado por outro mais hábil. Surgem assim os casos de tráfico de influência entre instituições, através de representantes úteis de uma prestando serviços para outra. Funciona como uma espécie de agente infiltrado, mas com essa função de facilitar favores úteis e espalhar notícias ou boatos com um lado de versões em casos diversos. Que cada um use sua imaginação para entender esse sistema, falar mais que isso sem entrar em casos particulares, com suas implicações, não é possível. Esse é um sistema que varia de empresa para empresa, mas que funciona muito bem nas Instituições militares. O retorno útil para as Corporações é o tráfico de influência, nada mais justificaria a manutenção de ajudantes de ordem em Instituições como o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, Defensoria Pública e as Assembleias Legislativas. Todos esses poderes tem orçamento próprio e permissão para contratação de seguranças ou apoio administrativo, por que querem o apoio de militares? Por que algumas leis facilitam o recebimento da ajuda ( quase compulsória, as equipes são jogadas no seu colo ) e por que há todo um interesse das Corporações militares nessas Instituições , esse favor não fica sem resposta. 
Precisou da polícia em decorrência de ameaças ou outros fatos de interesse público? Nada mais justo que o apoio enquanto durar a ameaça, mas por que manter oficiais de alta patente em assessorias administrativas extra Corporação Militar? Por que esse atendimento especial em tempos de preocupante baixa de efetivo nas ruas? Quem tem visto os efetivos militares nas ruas? Como justificar esses “favores” feito pelas PM com graves problemas de efetivo? Esse é o sistema dominante nas empresas brasileiras, os interesses são uns, mas na hora de justificar para a opinião pública em casos de questionamento, são escalados os melhores porta vozes para se “justificar” o interesse da Instituição como se fosse interesse público, são usados as falácias e os sofismas pra se dar ideia de seriedade, correção e honradez. 
De uma forma não muito diferente daquela em que o meio político aumenta os impostos enquanto metade do orçamento é dividido entre propinas e a corrupção. Em casos de denúncias ou questionamentos que afete interesses, para seus públicos internos as empresas ou corporações não precisam justificar nada, o controle é feito sem dificuldades usando para isso regulamentos rígidos e toda aquela rede dos apoiadores úteis, que citamos acima, para divulgar a necessidade de se “proteger a Instituição” ( na verdade interesses pessoais ) e ao mesmo tempo toda uma rede de divulgação e difamação pra tirar aquela carta ou cartas do baralho. Um mau funcionário ou um denunciante que passou a ver a podridão do sistema? Dificilmente saberemos, a rede de manipulação e interesses vai silenciar o “problema” sem que saibamos se era loucura ou denuncia. Por isso o enfraquecimento e a corrupção em entidades de classe, esse câncer dos interesses pessoais e do peleguismo as invadiu . Bem vindo ao sistema, também conhecido como rede de mentiras e de manipulações úteis. 
Norberto Russo, é Tenente Coronel da reserva da PM de Minas Gerais, Bacharel em Direito formado na Faculdade Batista de Minas Gerais, especialista em Segurança Pública, Fundação João Pinheiro, turma 2002.

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